Armazenamento de evidências digitais: custo, espaço e manutenção de 5 PB em dez anos
Estudo compara oito alternativas de SSD, HDD e Glacier para 500 TB anuais de evidências, considerando custos de capacidade, energia, manutenção e espaço físico.
Por Custodia Systems ·
ARMAZENAMENTO DE EVIDÊNCIAS DIGITAIS: COMPARAÇÃO DE OITO SOLUÇÕES PARA 500 TB POR ANO
O DESAFIO DE PRESERVAR 5 PB POR DEZ ANOS
Uma instituição que produz 500 TB de evidências digitais por ano acumulará 5 PB em dez anos, caso não descarte dados durante o período. No contexto de investigações, é plausível que grande parte dos acessos se concentre nos meses seguintes à extração, enquanto evidências antigas permaneçam longos períodos sem consulta, podendo ser novamente solicitadas durante procedimentos ou julgamentos.
O desafio não é apenas armazenar arquivos: é equilibrar acesso rápido, preservação prolongada, espaço físico, manutenção e previsibilidade de gastos. Esse equilíbrio é especialmente relevante no setor público, onde novas aquisições podem demandar planejamento e prazos extensos.
OITO ALTERNATIVAS AVALIADAS
Foram considerados três cenários de tecnologia única e cinco combinações híbridas. Em todos os casos, o volume acumulado é de 5 PB, com produção uniforme de 500 TB anuais.
1. Tudo no Glacier: os 5 PB finais são armazenados no AWS S3 Glacier Deep Archive. Não há armazenamento local permanente considerado no modelo, mas ainda é necessário prever área temporária de ingestão e recuperação.
2. Tudo em HDD: 5 PB de capacidade útil local em discos magnéticos. Todas as evidências permanecem disponíveis localmente, com exigências maiores de espaço, energia e manutenção.
3. Tudo em SSD: 5 PB de capacidade útil local em unidades de estado sólido. Oferece elevado desempenho, mas exige investimento muito superior.
4. Cenário A: 500 TB em SSD e 4,5 PB no Glacier ao final de dez anos. Aproximadamente um ano de dados recentes permanece local.
5. Cenário B: 1 PB em SSD e 4 PB no Glacier. Aproximadamente dois anos de dados recentes permanecem localmente em SSD.
6. Cenário C: 1 PB em SSD, 1 PB em HDD e 3 PB no Glacier. Aproximadamente quatro anos de dados permanecem localmente, dos quais dois em SSD.
7. Cenário D: 500 TB em SSD, 1,5 PB em HDD e 3 PB no Glacier. Aproximadamente quatro anos de dados permanecem localmente, dos quais um em SSD.
8. Cenário E: 250 TB em SSD, 1,75 PB em HDD e 3 PB no Glacier. Aproximadamente quatro anos de dados permanecem localmente, dos quais seis meses em SSD.
PREMISSAS FINANCEIRAS DO MODELO
Este é um exercício de planejamento, não uma cotação comercial. Os valores foram mantidos consistentes com o estudo anterior: SSD útil instalado a R$ 3.600/TB; HDD útil instalado a R$ 400/TB; Glacier Deep Archive a US$ 0,99/TB/mês, com câmbio ilustrativo de R$ 5,30/US$. A capacidade local é tratada como disponível durante todo o horizonte de dez anos; o volume no Glacier cresce progressivamente depois que a capacidade local é preenchida.
Para ampliar a análise, adotam-se provisões ilustrativas de manutenção e reposição equivalentes a 5% ao ano do investimento local, por dez anos; consumo agregado de 1 W por TB útil em SSD e 1,5 W por TB útil em HDD; fator de energia e refrigeração de 1,5; energia a R$ 1/kWh; e R$ 50 mil por rack equivalente durante o período. Para estimar espaço físico, considera-se um rack equivalente para cada 500 TB de SSD ou 1 PB de HDD, arredondado por tecnologia. São hipóteses simplificadas e não representam especificações de equipamentos concretos. A provisão de manutenção e reposição não deve ser somada novamente a uma renovação integral sem revisão, para evitar dupla contagem.
COMPARAÇÃO ECONÔMICA EM DEZ ANOS
Tudo no Glacier: aproximadamente R$ 1,57 milhão, sem contar ingestão temporária, solicitações, recuperação, tráfego e outros encargos.
Tudo em HDD: aproximadamente R$ 4,24 milhões, incluindo R$ 2 milhões em capacidade local, R$ 1 milhão em provisão de manutenção/reposição, R$ 986 mil em energia/refrigeração e R$ 250 mil em infraestrutura de racks.
Tudo em SSD: aproximadamente R$ 28,16 milhões, incluindo R$ 18 milhões em capacidade local, R$ 9 milhões em provisão de manutenção/reposição, R$ 657 mil em energia/refrigeração e R$ 500 mil em racks.
Cenário A: aproximadamente R$ 4,09 milhões, incluindo R$ 1,28 milhão de Glacier acumulado.
Cenário B: aproximadamente R$ 6,64 milhões, incluindo R$ 1,01 milhão de Glacier acumulado.
Cenário C: aproximadamente R$ 7,05 milhões, incluindo R$ 567 mil de Glacier acumulado.
Cenário D: aproximadamente R$ 4,68 milhões, incluindo R$ 567 mil de Glacier acumulado.
Cenário E: aproximadamente R$ 3,49 milhões, incluindo R$ 567 mil de Glacier acumulado.
A comparação revela que o armazenamento inteiramente em Glacier apresenta o menor custo de capacidade e infraestrutura no modelo, mas não atende sozinho à necessidade de acesso rápido durante investigações. Entre os cenários com capacidade local relevante, E apresenta o menor custo estimado.
COMPARAÇÃO PERCENTUAL E CUSTO-BENEFÍCIO
O cenário E custa aproximadamente 17,5% menos que o HDD puro, 87,6% menos que o SSD puro, 14,6% menos que A, 47,4% menos que B, 50,4% menos que C e 25,3% menos que D. Em contrapartida, custa mais que a solução inteiramente em Glacier, que exige recuperação assíncrona de evidências e não oferece a mesma disponibilidade local.
A vantagem do cenário E não é apenas econômica: ele conserva quatro anos de evidências localmente, como C e D, mas concentra menos capital em SSD. O cenário D pode ser preferível quando investigações demandam acesso rápido durante até doze meses, em vez dos seis meses considerados para E. O cenário C é uma alternativa para ambientes com reprocessamento intenso por períodos ainda mais longos. Os cenários A e B têm menor variedade de tecnologias, porém o investimento em SSD cresce significativamente.
ESPAÇO FÍSICO E MANUTENÇÃO
A presença de 5 PB em uma instituição implica espaço em racks, alimentação elétrica, refrigeração e manutenção recorrente. No modelo ilustrativo, HDD puro corresponde a cinco racks equivalentes e SSD puro a dez, enquanto os híbridos A, B, C, D e E correspondem, respectivamente, a um, dois, três, três e três racks equivalentes. Essa contagem não é um dimensionamento físico definitivo: densidade de discos, controladoras, redundância e distribuição elétrica podem alterar significativamente o resultado.
Além do espaço, equipamentos locais precisam de manutenção e substituição ao longo de dez anos. A nuvem reduz a infraestrutura física local, mas desloca parte dos riscos para despesas recorrentes, tarifas de recuperação, conectividade, variação cambial e dependência do fornecedor.
RECOMENDAÇÃO DO ESTUDO
Para uma instituição que precisa de acesso rápido aos dados recentes e aceita prazos maiores para recuperar evidências antigas, o cenário E é a recomendação preliminar de melhor custo-benefício entre as opções com armazenamento local expressivo. Ele mantém 250 TB em SSD, 1,75 PB em HDD e 3 PB em arquivamento remoto ao final do período, com subtotal de aproximadamente R$ 3,49 milhões nas hipóteses adotadas.
Se o requisito prioritário for minimizar o custo de capacidade e for aceitável aguardar a recuperação de praticamente todas as evidências, a alternativa integral em Glacier merece consideração. Se o acesso imediato a todos os arquivos for obrigatório, HDD puro oferece uma comparação relevante, embora implique infraestrutura local muito maior.
LIMITAÇÕES E RESPONSABILIDADE FINANCEIRA
O estudo compara uma única cópia lógica de cada evidência. Uma segunda cópia independente, exigida para proteção contra perdas relevantes, deve ser orçada separadamente. Também não foram incluídos equipe técnica, rede, taxas e impostos, custos de recuperação do Glacier, ingestão temporária, custos financeiros, crescimento não uniforme, inflação ou variações futuras de preços. As estimativas não são um TCO contratual completo.
A arte de capa é uma representação ilustrativa e contém valores que não correspondem integralmente a este modelo financeiro. Os números apresentados no texto prevalecem; recomenda-se atualizar a capa antes da publicação.
CUSTODIA SYSTEMS — Estudo comparativo de planejamento, outubro de 2026.